O pequeno herdeiro

Um garoto comum, numa vida comum, pais que o amam. Mas uma familia comum numa historia magica.

Passou as férias com um avô que não era avô, um senhor bondoso que alguns chamavam de louco, outros de senil. Poucos sabiam o que ele era de verdade: um mago.

Um dia ele desapareceu e deixou pra familia sua enorme mansao. Incluindo ai a familia de nosso pequeno herdeiro.

Essa história veio pra mim em um sonho, então tenha cuidado pois pode ser que tenha acontecido. Ou seja  apenas um sonho. Pelo bem ou pelo mal mantenha uma boa dose de desconfiança. Não vai querer ser pego de olhos fechados quando as coisas realmente  acontecerem.

O que aconteceu com o avô? Ninguém sabe. Quer saber, o lado mais proximo da familia saberia se ele não tivesse feito com que toda mágica que ele fazia, parecesse truques. Das pessoas que ficaram na casa, poucos realmente saberiam a verdade.

Sobre a casa, bem devo admitir que casa é uma maneira estranha de se chamar o que deveria ser chamado de mansão. Andares e mais andares. Incrivelmente sempre coberto por uma quase imperceptível camada de poeira, por mais que  Sr Senhorio lutasse contra ele. sr senhorio era quem mandava na casa. Quem cuidava dos jardins era o Sr Jardineiro e a familia dele que morava no lado numa casa anexa: Sr Jardineiro, Sra Jardineira e Jardim Jr. Esse ultimo um bom garoto, um pouco esperto demais pra alguém que se fazia de bobo. Boa pessoa, se não fosse bem desconfiado.

Dentro da casa haviam  também muitos funcionários, mas com a morte do avo que não era avô, ficaram poucos. Apenas o bastante para servir quem ficaria até o cumprir da herança.  Sra Copeira, a sua Ajudante e a Sr Organizadora. Sra Organizadora era, acreditem ou não, muito organizada. Só perdia a ordem das coisas quando observava demais o Sr Senhorio. Também lutava com a fina camada de poeira e essa guerra tinha sempre como baixas as pessoas contratadas para limpá-la. Equipes vinham e iam, com rotatividade devido a poeira e a Sra Organizadora. Eu fugi do assunto? Um pouco. Mas vamos ver quem morava na casa atualmente:

Um sobrinho direto. Avô que não era avô. Um senhor estranho até para a casa. Sempre parecendo estar um  pouquinho torto. Seu sotaque um pouco lembrava de lugares que o sobrinho nunca esteve. E ele tinha o poder de sempre conseguir usar uma jaqueta que era a cor mais diferente que se podia utilizar em lugar. Seja no banco ou seja num circo, a jaqueta que ele usaria seria ponto de referencia pra qualquer um. Sua favorita era uma Verde limão. No bolso dela um canivete, no outro um cachimbo. Acredito que quem o conhecesse de verdade nao o acharia estranho, mas eu ainda nao tinha visto ninguem que o conhecesse.

Mais 3 garotas morariam nessa casa ate cumprir a heranca. Os pais nunca iam a casa, mas achavam que tinham o direito a boa parte dela. Eram filhos do avo que nao era avo, sendo filhos que era filhos. Nao sou de julgar, mas eram filhos só no nome. Depois que cresceram nunca trataram o pai como tal, sempre desacreditando em tudo que ele fazia. Nada que o pai pudesse fazer os deixavam felizes ou encantados, sempre era “mais uma bobeira do velho”.

Mas as 3 garotas deram bastante atençao e uma delas realmente gostava do avô que era avô. Só que quanto a mágica? Todas sabiam da verdade. A mais velha, com olhar implacável, lingua ferina e atitudes ríspidas, era a melhor delas, mas a sem nenhuma aptidão em Magia. Chamemos de Marisa. A mais nova, sempre com um rosto que gritava “estou quase entendendo” talvez tivesse a maior capacidade de Mágica entre as três se não fosse a total falta de concentração e motivacao. Era uma rosa perfeita que teve preguiça de desabrochar… E estava perdendo tempo. Seguia por hora uma Irma por hora outra, sem grande aptidão. Chamemos de Aleia. A irmã do meio tinha um olhar bondoso, voz macia e calma. Alguém que você gostaria no primeiro olhar. Ela também era a pior. O que a mais velha não tinha de aptidão a do meio tinha, mas com dedicaçao que  a mais nova nao tinha. O desejo dela era ter a mansão ao pra si e tudo de mágico pra ela seu nome era Lavinia. As 3 seriam a perfeita descriçao de “nao olhar o livro pela capa”, se a mais nova nao fosse tao a capa do livro. Mas nao é a primeira nem unica sequencia que ela tiraria de ordem e ja estava conformada com isso.

Mas voltando a nosso pequeno neto que nao era neto: vamos chamá-lo de pequeno, nao quero que mais tarde venham me processar por ter dito seus verdadeiros nomes.

Pequeno um dia encontrou o avô (que não era avô) por que se perdeu dos pais. Ter como brincadeira favorita o esconde-esconde acaba trazendo problemas. No bairro que morava existia essa enorme mansão de um senhor que todos achavam estranho e que contavam historias e histórias sobre como ele era ruim.

O fato de que a casa era perto da sua nunca incomodou Pequeno. Alias ele nunca ligou a casa ao jardim que ele descobriu aquele dia. Um lugar perfeito pra se esconder, eu diria (como ele teria dito) mas um lugar mais que perfeito pra se perder. Quem teria um labirinto no quintal? Bem, só alguém considerado louco e exótico pelo jeito. De tanto ter que encontrar gente perdida, o Aqnea (Avo Que Não É Avô esta cansando meu dedinhos tá bom?) conseguiu um jeito, vejam vocês, de fazer com que cada perdido fosse guiado ate a entrada do labirinto. Até mesmo pequenos que entraram pelo lado em que o Jardim Jr tinha tentado mais uma vez ajudar o Sr Jardim e bem, atrapalhou. Uma cerca mal aparada e um pequeno curioso, e foi assim que o Pequeno entrou na família.

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