Desatador de nós

nó

Um rolo de palavras desconexas que só começam a fazer sentido depois que eu começo a desenrolá-las.

 

A alegria está lá fora. A alegria está dentro de vc.  Pode também estar em coisas e pessoas.

Mas sabe mesmo onde ela está? Onde você a coloca. Como um enfeite de árvore de natal (Que por si pode representar a alegria de muitos).

O problema é lidarmos com ela como se fosse de vidro, ou não cuidar dela como se não fosse nada. Por que daí, vc mesmo esconde sua alegria. Ou joga ela em coisas descartáveis. Em dinheiro. Em comprar coisas e mais coisas. Ou estar com alguém, qualquer alguém e sua alegria ficar viciada, dependente.

Eu por exemplo tenho a memória curta e consciência limpa. Devo ter conhecidos que lêem isso e pensam “Ép, ele é um cafajeste que me sacaneou e sumiu”. Ou pessoas pensando que eu estou mentindo.

Mas o que me deixa feliz é pensar. Adoro pensar. Adoro desfazer nós.

È uma profissão que gostaria de ter: desatador de nós.

Você trás o seu emaranhado e lá vamos nós correr e puxar e dar voltas, até conseguirmos fazer algum sentido nessa maçaroca toda. Ou até conseguirmos o nível mínimo de civilidade e comportamento que esperamos dessa maçaroca.

Claro que eu ganharia pouco, quantos nós temos aqui? Poucos. Ou muitos. É egoísmo querer desenovelar todos os nós da minha vida e dos outros? Quem sabe os nós dos outros estão lá por motivos que não me parecem óbvios e tirá-los pode causar sério dano ao uso da corda. Por que nenhuma corda é igual. Apesar dos nós parecerem.

Engraçado, por que devo ter vários novelos na minha vida. Guardados pra mim. Pra quando eu precisar ou por que eu mesmo não vejo tantos nós e voltas como algo ruim. Quem sabe eu deva olhar mais de perto. Ou mais de longe.

Mas voltando ao pensar: as vezes ficar horas esperando (plantado), com a oportunidade de ficar pensando, me deixa muito feliz. Fico triste quando atraso coisas importantes de outras pessoas, mas tento manter o meu nível de coisas importantes altamente dependentes de mim (e consequentemente minhas) no mínimo. Por que posso parar, posso pensar em como resolver nós. Como reinstalar programas. Como desmontar um notebook. Como funciona um alicate rebitador. Como fazer uma pilha de batatas…

Ontem eu disse a uma grande amiga que vai pra longe que eu nasci aqui mas não sou daqui. È bem rebeldia adolescente e senso de não adequação, mas acho que passei um pouco dessa fase a tempos. Mas não me sinto daqui.

Eu vejo tanta informação, tanta coisa pra ler e fazer que simplesmente fico triste por ter tão pouco tempo pra tudo. Até dormido menos tenho. As vezes só pra ficar pensando. Repensando. Extrapolando. Reinventando.

Quem diria. Minha alegria pode estar nos bolsos dos outros. Como a sua pode estar nos meus. E olha que nem precisa ser dinheiro, só quero nós, alguns querem mãos, outros anéis. Acho que eu devia estocar mais nós pra desatar…

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