Em algum lugar do Passado – filme review

Caso não tenham percebido, tenho lido/visto muito sobre viagem no tempo e este é um daqueles filmes que apesar de ser um romance, é um romance com viagem no tempo. Logo, é legal.

E pensar que tudo começou basicamente com “A garota que pulou o tempo“…

Primeiro, tirar o elefante da sala: È UM FILME VELHO PACAS. TÃO VELHO, MAS TÃO VELHO que tem quase a minha idade.

Sim já passou incontáveis vezes na sessão da tarde.

E sim, é o Christopher Reeve, o Superman dos anos 80. Que morreu por causa de um cavalo.

Em Algum Lugar no Passado é um romance com ficção cientifica dirigido por Jeannot Szwarc (que depois ainda dirigiu Tubarão 2 e Supermoça). É uma adaptação do livro Bid Time Return (1975)  de Richard Matheson. Sim, Richard Matherson é o mesmo cara que escreveu (entre vários) o livro Ecos do Além, além de Eu sou a Lenda, que é maravilhoso mas foi adaptado para o filme de Will Smith de 2007 que é uma merda. Meu, a adaptação de 1971 “A última esperança da terra” com o Charlton Heston é muuuuuito melhor!

Ok, bobeou dançou, tá aqui o “Última Esperança da Terra” (The Omega Man) completo e dublado:

Christopher Reeve é Richard Collier (o mocinho), escritor que no dia de comemoração do sucesso de sua primeira peça, ganha de uma velha que ninguém sabe de onde veio, um relógio de bolso. A velha fala “Volte! Volte pra mim!” e desaparece. Oito anos depois, com bloqueio de escritor (acabou de tomar um pé na bunda), Richard resolve tirar umas férias e como sempre passava em frente de um mesmo hotel, nunca se hospedando, resolve aproveitar a chance e passar uma noite. Ao passear pelo hotel fica perdidamente apaixonado por uma mulher em um retrato (Jane Seymour como Elise McKenna). Ao questionar sobre ela, descobre que a mulher esteve no hotel em 1912 (e o ano que ele está é 1980). Richard resolve esticar a estadia.

Depois de muito pesquisar sobre tal Elise, Richard descobre que tal mulher nada mais era que a mesma senhora que lhe deu o relógio. Esse relógio, descobrimos que foi dado a ela por um desconhecido homem no passado, o amor da vida dela. Quanto mais ele pesquisa mais ele fica intrigado, sobre o relógio, sobre a mulher e mais coincidências aparecem. Ao conversar com a mulher que guardava os espólios da falecida Elise, Richard encontra o livro de um ex-professor, cujo assunto é viagem no tempo (Um livro que a falecida leu e releu, segundo a amiga).

Indo ao encontro do ex-professor, ele descobre que existe uma possibilidade. Segundo o professor (que fez isso uma vez) é possível se auto-hipnotizar para que se viaje ao passado. Mas quanto mais coisas modernas se tem, mais fraca é a viagem.

Agora obcecado, Richard compra roupas antigas, moedas e até corta o cabelo com a moda da época. Em seu quarto ele grava uma fita k-7 para se auto hipnotizar, deitando na cama e falhando miseravelmente.

Deprimido ele passa horas na seção onde fica a foto de Elise, quando repara no material do lugar. Ao questionar um dos funcionários do hotel que eu esqueci de mencionar (e aparece esporáticamente), ele vai ao depósito atrás do livro de registro de hóspedes do hotel, de 1912. Encontra o nome de Elise. Só que mais abaixo encontra também o seu. Viagem no tempo é possível, e Richard esteve no passado.

Agora renovado, Richard tenta novamente, entendendo que usar um gravador (que não existia na época que queria visitar) era contrasenso (segundo as regras de viagem de tempo nesse filme).

Depois de muito concentrar, Richard acorda no mesmo quarto de hotel, só que 68 anos antes. Sua triunfal chegada é complicada, por que em tal quarto já estava uma mulher (acompanhada). Com excesso de malandragem, Richard escapa sem ser visto. Agora deslumbrado, Richar caminha pelo Grande Hotel de 1912, até encontrando o funcionário no hotel, ainda criança.

Richard procura de todas as maneiras Elise, até encontrá-la na biera do lago, no que ela pergunta “É você?”, no que ele responde “Sim!”. O motivo de tal pergunta só entenderemos depois de muito filme (o empresário/protetor/stalker/amante dela disse que virá um homem que irá destruí-la…).

Mesmo com medo, Elise acaba cedendo aos charmes de Richard, causando extremos ciúmes no empresário (Christopher Plummer, que sinceramente? Nasceu pra ser vilão). O empresário arma uma emboscada para Richard, imaginando que Elise partiria de manhã com ele e todo o elenco do teatro conforme o planejado e esqueceria de Richard.

Richard acorda de manhã e descobre que a equipe toda se foi. Arrasado ele fica zanzando pelo hotel, até que Elise o vê e corre pra ele. Eles alugam um quarto e, dentre outras coisas íntimas, fazem planos para o futuro a dois durante um piquenique no quarto. Richard empresta o relógio a Elise e ao mexer nos bolsos, encontra um centavo de 1979, o que o faz quebrar a hipnose e voltar ao presente (enquanto Elise clama por ele).

Desesperado ele tenta várias vezes voltar, mas ao final do filme vemos funcionários resgatando o corpo de Richard, que morreu de exaustão… ou de amor, assim dizer.

Na última cena do filme, Richard encontra Elise jovem, num ambiente que parece o céu.

Ok.

Primeiro: Ainda bem que não era a Elise VELHA então, heim?

Segundo: Morrer de amor? Sério?

Terceiro: Se ele conseguiu ir ao passado uma vez, conseguiria novamente. Mas mulheres curtem fins trágicos… nunca entendi esse lado psicopata das mulheres.

O filme é legalzinho, Reeves tinha acabado de estourar como Superman… O problema é que nem a produtora confiou, a grana do filme foi cortada pela metade, ocorreu uma greve de atores. O filme apesar de bem recebido pela crítica (e até virando um filme cult) não lucrou lá muita coisa. Pena, pois é um romance não dos piores.

As cenas de Richard deslumbrado com o passado e mesmo o clima que o filme passam, são ótimos!

Achei muito real Richard precisar de uma prova sobre ter ido ao passado, e acho que são traços da inteligência do autor Matherson.

No final dou uma nota 7 por mostrar o paradoxo do “quem diabos criou o relógio?” já que ele tá preso num círculo: Richard dá pra Elise nova e Elise velha dá pro Richard novo. Na teoria esse relógio está preso no círculo e tende a ser detonado (e não é explicada o origem do tal relógio. Quem fez? Quem comprou?). O mesmo paradoxo que é mostrado o caderno de By his Bootstraps, só que o caderno é renovado a cada volta (ele fica gasto e é refeito com novo material a cada volta) .

Coisa que só o Criança Perpétua conta:

Repare que tanto o autor como o mocinho têm o mesmo nome: Richard. Não é acidental, a inspiração do livro veio da vontade de Matherson em ir ao passado conhecer Maude Adams

Tetéia. Ah, e nessa época não tinha photoshop!

.

O Autor do livro que baseou o filme, Richard Matherson faz uma ponta como “Senhor horrorizado por que o mocinho se cortou ao se barbear” em 1 hora, 2 minutos e 17 segundos de filme. Matherson até o fechamento deste post, continua vivo. Reeves, continua falecido.

O filme tem esse nome devido ao livro ter esse nome no Brasil. Se não tivesse o livro, seria algo do tipo “O relógio do Hipnotizador” ou “O Passado do Hotel” por que no BR os nomes são escrotizados.

No livro, os pontos que mais diferem são a data (no livro Richard vai de 1971 a 1896 e não de 1980 a 1912 como no filme), local (Califórnia no livro, em vez de Michigan) o relógio (ausente do livro) e 2 psiquicos que previram a vinda de Richard (e não o empresário vilão) mas o que faz a diferença mesmo é…

Richard está morrendo de um tumor no cérebro. Isso faz com que toda a viagem POSSA ter sido coisa da cabeça do cara (alucinações).  E no livro, Richard não morre “de amor” mas do tumor do cérebro. Pois digo que o livro é beeeem mais legal por ter essa questão.

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