Sabe o que eu queria?

Mas primeiro, como eu cheguei ao pensamento.

Lendo meu site favorito (Cracked), li sobre Chuck Yeager…

Aqui, após um pouso famoso

… e além de ser um cara fodão, falou uma frase que me lembrou de tempos:

“but it seems like the kids don’t go out and play much. They don’t seem to get much exercise anymore.”

E bateu um sentimento estranho.

Eu sempre achei que nasci na época errada. Ainda que eu ame muito nossos tempos (E acho que eu seria uma pessoa completamente diferente nascido em outra época), sempre quis ter nascido e sido criado na beira de um rio. É meio clichê, mas sempre quis uma vida meio Tom Sawyer. Sei que o fato do autor, Mark Twain, ser muito inteligente, ajudou o livro a me marcar tanto. Mas queria ter vivido numa cidade calma, com vizinhança unida. Cresci em um bairro bem movimentado, sem tanto contado com vizinhos… sem turma da rua. Um pouco é culpa minha, tive vizinhos que eram da turma, eu que sempre fui um estranho no ninho.

Queria ter tido a chance e se fosse no Missouri, sei lá, quando tivesse uns 30 anos ainda pegaria o nascimento da música moderna! Ou pelo menos a raiz do Blues (com mais sorte, quem sabe até o período do Doo Wop). Sei que é lindo imaginar as belezas contadas  no livro e que nunca descrevem as dificuldades sanitárias e disenteria da época… Mas sonhar ainda é de graça.

Só que de sonhar pra realizar… Eu queria dar a oportunidade de meu filho ser criado numa cidade menor. De ir pegar goiaba no mato, ter um estilingue (não pra matar passarinho), de sair de casa cedo, correr pra almoçar e quando começasse a escurecer eu ter que chamar.

De poder andar descalço, de aprender a subir em árvore… È uma realidade com seus problemas, é claro, mas seria uma experiência que eu tive, que queria que ele tivesse também. Pegar a bicicleta e andar pra cima pra baixo. Que uma das coisas mais importante pra levar quando sair de casa fosse uma lanterna, bolitas e linha.

Que as bermudas ficassem com bolsos imundos de tanto carregar porcaria…

Quem sabe um dia meu filho more comigo, mas as facilidades dos dias de hoje são tão confortáveis, será que eu conseguiria dar uma vida mais pé no chão e menos digital? E imagine, eu vindo a reclamar na internet sobre isso, que cínico…

 

 

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