Bóia Cross – Bonito

Continuando a saga de Bonito, agora sobre o Bóia Cross.

Se não me engano tem duas saídas de bóia cross, uma do Parque Ecológico do Rio Formoso (que fiz) e a que sai do hotel Cabanas. Ambas são logo na entrada da cidade, sendo a do Parque na direita depois de passar a rotatória da estrada principal, e a do Cabanas você precisa virar à esquerda na rotatória da mesma estrada (sentido Bonito > Guia Lopes) e achar o hotel Cabanas (bem sinalizado).

Em cima da hora fomos ao passeio e nos bateu a dúvida quanto ao local, Acabamos indo ao hotel Cabanas que me pareceu interessante, com uma nascente ao lado do hotel (ou água da chuva que caia fraquinha). Quando perguntei (correndo) ao “recepcionista” se era ali nosso passeio ele falou que apesar de sair Bóia Cross do Cabanas, estava fechado o passeio devido ao mal tempo. Falou que tinha que ser louco pra descer com o rio cheio. Legal ele não? Fiquei preocupado quanto a possibilidade do passeio ser cancelado mas fomos ao Parque, este meu velho conhecido.

Um adendo, como já tinha ensinado ao grupo que foi à Gruta o caminho do Parque Ecológico, tentamos como loucos ligar ao grupo pra indicar o novo caminho (Do Hotel Cabanas que no fim não era o lugar mesmo) e os celulares incrívelmente não davam sinal. Era dois TIM e um Oi e não consegui mesmo ligar (fora de área).  No Parque, a cerca de 2 quilômetros mais distante (e mais distante da cidade de Bonito também) fiz as ligações sem problema. Vai saber.

Pois bem, chegamos ao Parque Ecológico do Rio Formoso. Eu já tinha ido uma vez lá, é o local de um passeio de flutuação que uns amigos portugueses fizeram e curtiram, mas outras pessoas do grupo que desceu com eles falaram que essa flutuação é muito inferior ào do rio da Prata (que pretendo fazer ainda esse ano).

Como naquela vez não tinha muito o que fazer, paguei 10 reais pra ficar no lago que eles têm, bem à frente da sede. È um lugar legal, estrutura meio rústica mas bem bonita. O lago é de água que vem do rio Formoso (como descobri nessa vez) e é mais quente que a água do rio. O fundo tem algo como um musgo ou coisa assim que é meio nojento mas o lago tem água bem clara e é divertido ficar por ali. Naquele dia choveu leve e foi MUITO legal. A água do rio quente, chuva um pouco fria…

Pois bem, dessa vez chegamos e o guia nos avisou que ainda faltavam duas pessoas (Uma argentina e filha que nós levamos). Nos solicitou os vouchers e a argentina boiou. O cara do hostel não entregou pra ela, apesar de ter combinado conosco a levarmos. Sugeri ele ligar e confirmar os nomes no hostel e tudo foi resolvido.

O guia começa dando as dicas de como ficar, movimentar enquando outro nos dá os coletes salva vidas. A bóia é de tamanho análogo a uma câmara de pneu de caminhão (uso muito pra descer o rio no Piki, ainda falarei disso). Só que ela tem uma capa que a envolve, com alças e fundo fechado (aprendi depois que entra água é é aquele peso.

São 3 posições:

  • Com a bunda pra baixo, no buraco da bóia,  pra quedas mais altas
  • De bruços, com o peito por cima do buraco da bóia, segurando as alças para quedas médias.
  • De bruços com o umbigo mais ou menos por cima do meio do buraco da bóia para que você possa usar os braços pra remar, pra praticamente todo o resto do percurso.

Todas as posições serão avisadas pelo guia, que vão em 2. Um para realmente guiar o grupo outro pra suporte e tira fotos, com uma câmera à prova dágua Canon Powershot D10, uma dos meus sonhos de consumo.

Terminada a explicação você caminha por uns 1500 metros por uma trilha primeiro aberta depois praticamente mata ciliar. Como tinha chovido estava bem escorregadio e os pernilongos cairam matando, quase tanto quanto no rio Sucuri. Só que dessa vez usávamos só roupas de banho, ao contrário da flutuação que tínhamos roupas de neoprene (que cobria o corpos mas não braços e pernas, mas já dava uma grande ajuda). Após os sanguinários pernilongos caminhamos por umas pontes suspensas (que agora estou em dúvida se não estou confundido com do outro passeio) mas em ambos os casos era legal.

Já ao entrar no rio pra descer, uma cachoeira que precisamos ir sentados na bóia. Bem, o percurso foi legal, apesar dos pernilongos nos acompanharem. O guia passavam uma pessoa de cada vez pelas quedas e ocorreu alguns imprevistos em que ele acabou se machucando levemente (O popular ralando) segundo testemunha, desnecessáriamente. Enquanto aguardávamos mais pessoas descerem, nos segurávamos em galhos. Uma das coisas que o guia reclamou é que estávamos muito juntos então fiz o máximo pra manter uns 3 metros de distância. Posso dizer que eu estava em vantagem por que desço muito de bóia usando câmaras ainda mais rústicas. Pra você ter idéia, as alças acabaram me atrapalhando ahahha.

A posição de remar (bruços com os braços pra fora da bóia) te deixa com dor nas costas após um tempo, que foi reclamado por muitos. Eu fiquei de lado quando começava a incomodar, mas no dia seguinte ainda lembrava. Acabei me cortando ao remar na beira (capim navalha submerso) mas é hilário o quanto arde um corte recente na água e quão micro ele é quando você tem tempo pra ver depois.

No nosso grupo estavamos em 3 couchsurfers (2 caras e 1 garota), a argentina e filha pré-adolescente e um casal jovem. Dois do nosso grupo caíram na água (um na primeira cachoeira por colocar o peso todo no fundo ao sentar) outra não sei por que mas ambos foram categóricos em falar que o colete ajudou muito na flutuação.

Achei que os guias passaram mais stress do que estão acostumados e acredito que a causa foi o rio estar mais cheio que o normal (como gorado pelo cara do Cabanas). O passeio foi divertido, nada a reclamar. Mas já fiz então corto da lista. Ao final tiram as bóias e você pode ficar numa parte do rio que tem duas cordas cortando-o.

Essa foi a melhor parte, a correnteza é firme e gostosa, o sol abriu e ficou aquele calor de meio dia. Depois de conversar um pouco com o guia, ele mostrou os ralados de “salvar” uma pessoa do grupo (bah, já ralei mais no rio aquidauana) e reclamei que a pior parte era ter que ficar com colete salva-vidas quando ele me disse que se eu sabia nadar, podia tirar o colote. Só me indicou caso escapar da corda, ir pras margens por que à frente tinha uma queda. Acho que tive esse privilégio por que fui o que menos precisava de ajuda, então não acho que seja comum nadar assim por lá.

Divertido mais ainda nadar, consegui chegar ao fundo usando a corda que fica mais abaixo dágua (deve ter uns 3 metros e pouco), ficamos por lá mais um tempo e o outro guia explicava que quem quisesse as fotos, bastava indicar em que hotel estava pra pagar quando receber o dito cujo. Como queríamos as fotos mas já estávamos de saída da cidade propusemos (verbo?) comprar por ali mesmo mas eles não tinham gravador de cd/dvd na sede. Perguntei se não podíamos pegar as fotos digitais mesmo e ele disse que não tinha o cabo da máquina também.

Nessas horas paga ter umas baboseiras na mochila: tenho um leitor de cartão e levei um pen drive vazio pra emergências e o cara concordou em nos passar as fotos (mas sem redução do preço, então dividimos R$30 em 3 pessoas).

A volta é caminhando por um caminho parecido ao da ida e pudemos ficar no lago de graça (cortesia a quem fez um passeio lá). Como combinamos de levar a argentina de volta ao hostel AJ, aproveitamos e passamos no supermercado da rede econômica (praticamente fechado, 1 hora no domingo) e compramos besteiras. Voltamos ao Parque e conforme o combinado ficamos nadando por lá, matando tempo esperando a turma da Gruta Azul chegar. Dinheiro e tempo bem gasto, mas já fiz o bóia cross. Não faria de novo como pretendo fazer o Projeto Jibóia. Mas vale a pena ir pelo menos uma vez.

Leia aqui sobre a viagem à Bonito

Leia aqui sobre os Albergues/Hostels

Leia aqui sobre a Flutuação no Rio Sucuri

Leia aqui sobre o Bóia Cross

Leia sobre o que foi publicado sobre Bonito no meu blog, aqui.

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