Coisas que perdemos: Sorvete tipo Americano

Isso rules!

Foto roubada gentilmente do blog O Canto da Sereia, especificamente deste post.

Essa é das antigas.

Quando eu era moleque tínhamos o que é chamado de Sorvete tipo Americano. Ao contrário do sorvete tipo Italiano, esse não usava máquinas bonitinhas que davam sorvetes em espiral lindinhas e com cheirinho de leite.

O visual da máquina é o que a nova geração pode definir como “parece uma máquina de raspadinha”. Mas diferente das de raspadinha, essa não ralava gelo, apesar das garrafas ficarem iguais.

As garrafas do líquido misterioso ficavam de cabeça pra baixo, normalmente ajuntando uma quantidade impressionante de abelhas.

Fazia um barulho do caramba, como um ar condicionado velho transando com uma máquina de lavar que tinha um tijolo dentro.

Mas o sorvete… meu amigo… o sorvete era muito bom. Segundo me falavam (valeu Gabi) era um tipo de gelatina que passava por algo que suponho ser um rotor que girava muito e aparentemente congelava a gelatina (que era o líquido misterioso). O resultado era um sorvete estranhamente cremoso e sólido que quando colocado na boca imediatamente dissolvia em líquido. E em vez de suar gotículas que podem ser unir e virar uma gota, como no sorvete italiano, o sorvete soltava logo uma gota de líquido que sequer tinha a cor direito do sorvete, e descia no cone. Como se alguém tivesse jogado uma gota dágua por cima e ela desceu direto.

Meu primeiro contato foi quando eu era bem moleque, coisa de uns 10 anos. A quadra da minha igreja fica do lado da rua mais tradicional de ônibus da minha cidade: A Rui Barbosa. Essa rua era O LUGAR pra pegar ônibus. E como todo lugar desses tinha que ter: Maloqueiros, fliperama, cachorro quente barato e sorvetes. Apesar de existir uma máquina de sorvete italiano em um lugar bem mais acessível, custava caro. Não lembro os valores mas seria tipo, R$1,50. A de sorvete americano era num lugar mais sombrio e escondido. Na frente de um ponto que ia pra Deus sabe onde. E custava uns R$0,70. Como boa criança sem grana e à espera do gibi semanal, eu ajuntava essa quantia exorbitante de 70 centavos e ia tomar o sorvete, sempre depois que a escola dominical acabava e não terminava o culto dos adultos.

Conforme fui envelhecendo sempre tomei, apesar de ter mais grana Às vezes. Até um belo dia que fechou (a vigilancia sanitária não dorme pra sempre acho) e eu nunca pensei sobre tal lugar duas vezes. Com o passar do tempo, tomava sorvetes mas nenhum era igual aquele. Com noção do que perdi, mas nunca mais encontrei alguém que vendesse apesar da esperança de encontrar novamente.

Foi quando a uns 5 anos entre o banco e meu serviço apareceeu uma daquelas máquinas. Aliás, um adendo, sempre que eu via garrafas de cabeça pra baixo eu ia cheio de esperança ver se era de sorvete e normalmente era só de raspadinha. Ok, fui olhar essa e vi o preço baixíssimo e vi que era a máquina prometida. Anotei até o nome do fabricante e descobri que se chamava Sorvete Americano. Rapidamente o estabelecimento fechou mas cumpriu seu papel. Eu sabia o nome.

No mesmo ano achei uma máquina próxima de casa então tudo, sem excessão, era motivo pra ir lá. Mas essa andava meio precária, creio por ser próxima a uns colégios o dono não tinha um bom estoque de gelatina… então às vezes só tinha abacaxi (sabor que abomino desde os 8 anos). Rapidamente fechou.

Sei que existe fora da minha cidade… quem sabe até aqui, mas fico triste dessa geração não ter o acesso que tivemos a esse sorvete.

Aliás, já vi até preço de máquinas pra comprar… Imaginei levar pra Baianópolis e rachar de ganhar dinheiro… Mas não sei se tenho estrutura psicológica pra ser rico agora.

Ps: Fica a dica sorvete tipo americano que estou falando não é RASPADINHA nem SORVETE CASEIRO TIPO PAVÊ!.

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