As maiores máquinas caça-níqueis

Sejamos sinceros, o fliperama morreu.

A quantidade de suor e gordura nos botões dava pra afogar bebês.

Antes você andava pela cidade e facilmente reconhecia os buracos onde a galerinha do bem se reunia para trocar o parco dinheirinho (muitas vezes produto de furto) por fichas. Fora os malandrões que amassavam pedaços de latas de refrigerante para simular fichas (uns amigos meus já foram pegos assim).

E não era incomum a polícia começar operações dando aquela geral básica no moquinfo. E era comum esvaziar derrepente também (avisados os malocas, eles corriam pra longe).

Olha, veja bem, não estou falando que os lugares para jogar arcade foram pro espaço… Existem sim, dentro de shoppings e afins onde a galerinha criada a leite de pêra e ovomaltino pega o dinheiro do vovô e da vovó, coloca dos cartões de crédito dos playlands da vida e passam uma tarde dando paz aos pais. Mas fliperama mesmo, de rodoviária, galera medonha jogando Tekken, partidas de Street Fighter 2 que viravam brigas na rua de dois depois, fichas usadas como moeda de troca EM TUDO, foi se o tempo.

Aposto que a sua babá passa alcool em gel no Dance Dance Revolution pra vc pular, né papito?

Não que minha cidade seja o melhor exemplo (deve ter cidades no japão onde ainda rolam lojas de flipper maneiras) mas aqui tínhamos uns 3 fliperamas. Até que veio a época do Apagão e a grande mesmo, a foda, a que regaçava Brink’s teve que fechar as portas por que sobretaxavam quem usava muita energia, daí já viu né? O flipper mais maloca do centro, do lado da praça ary coelho (reduto da malandragem) hoje é um cabelereiro. Os dois da Rui Barbosa (um clássico perto da MACE onde uns amigos meus ficaram “presos” por falsificar fichas) e um bem mais velho, a uma quadra na minha igreja também se foram na mesma época. Perto do único Jumbo Eletro (esse é velho heim? Hoje é um Extra e por uma época foi Jumbo Extra), tinha uma locadora de games que tinha o jogo mais violento da minha infância. Tá não era, mas tinha sangue. Mortal Kombat 1 e 2. E na salinhas do fundo tinham FILAS de NEO GEOs com Art Of Figthing e similares. Mas estamos falando de lugares com fichas e não máquinas que você usava o tempo. Nosso único boliche tinha duas máquinas também: Double Dragon (que se você desse uns tapas na máquina dava créditos) e Black Tyger.

Uma época pra ser rico, bastava ter uma máquina dessas

Os dois nichos de flipper foram os shoppings. Na minha cidade, tivemos (pasmem) 2 shoppings! Coisa do futuro. No mais perto do centro, perdi muito tempo jogando Altered Beast e olhando a loja que vendia bonés importados. O outro shopping existe até hoje e até máquina de Guitar Hero tem, mas nunca confio em lugares de cartão e não de fichas.

Engraçado, até hoje não sei nomes de ruas, mas naquela época tinha mapeado fliperamas até em bairros. A dica é não ir onde só tinha uma máquina, ou rolaria problemas.

Hoje em dia, pra você ter uma idéia, quando normalmente eu vou feliz descobrir que máquina é (quando vejo uma daqueles formatos) ou é Jukebox ou é máquina caça-níquel (de moedas pra ganhar moedas). Sempre fico puto por cair no conto do fliperama.

Mas nos tempos atuais podemos encontrar a maioria dos jogos que eu curti tanto na minha infância e que me deram tanta raiva e inveja de pessoas que passavam de fase, pela internet. Emuladores são programas de computador que simulam serem máquinas e você baixa as Roms (algo como o cartucho pra quem é da época de cartucho, cd ou dvd dos novatos de hoje) do jogo. Nada mais de comprar fichas ou perder a luta suada contra o chefe final do Metal Slug X.

Quando posso paro e me divirto jogando coisas que fariam no mínimo bem à essa geração que têm em casa videogames que poderiam simular lojas e lojas de fliperama antigos. Só que conforme você baixa e consegue jogos, percebe o verdadeiro motivo de alguns deles.

Muitos excediam na dificuldade por que assim se compravam mais fichas e você acabava quebrado. Outros davam Vida por ficha (1 ficha = 1 vida). E uns piores eram as duas coisas MAIS você perdia vida conforme andava (estou olhando pra você Vendetta).

Aqui vão os jogos mais legais que existiam nas máquinas fliperama, mas que ao mesmo tempo eram feitos solamente para tomar seu dinheiro.

O pior pecado delas sempre foi ser legais demais para jogar…

Acredite ou não essa é uma feira de jogos. Eu pagaria pra entrar e desafiar qualquer um no Marvel.

Comecei aqui fazendo UM artiugo e pelo que vi vai dar pano pra muita manga. Então, como me é peculiar, vou fazer vários posts sobre vários jogos, fora de ordem.

Ps: Jogos de luta como Street Fighter, Mortal Kombat, Fatal Fury (e a porra do King of Fighters) e a série maravilhosa “Capcom versus” não entram nessa lista por que não eram tão caça-níqueis. Em Londres eu entrei no maior fliperama que já vi (Trokadero) e com uma ficha, digo moeda de libra (QUE ESTRANHO) zerei Marvel versus Capcom.

Jogos que você pode zerar com uma ficha, não são caça níqueis, apesar de que rolava grana alta nos desafios contra a rapeize maloqueira.

Começa com Cadillacs & Dinosaurs

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