Dia com pouca pauta…

Deu no Midiamax:

E veja, não que não seja interessante...

… mas é tão interessante que você meio que lembra dela. Quantas vezes nas nossas vidas podemos ler uma matéria desse tipo (a menos é claro, que a Sérvia acabe, levando a população inteira a tentar se suicidar pulando em praias e finalmente o apocalipse tubaronino previsto pela Atlântida venha se tornar realidade antes do previsto).

Então eu me lembrei que já li isso, mas fica pra depois.

Como podemos ver a fonte da notícia, obóviamente o setor investigativo do blog CriançaPerpétua passou horas atrás do veículo de informação. Depois de se infiltrar no submundo do crime, nos veio a resposta:

 

E não existe o jornal JG, achamos.

Notícia no jornal

Reparou em nada não né? Repare na data.

17 de Dezembro de dois mil e passado distante (quase um mês atrás).

Não serei o primeiro a atirar pedra, pois também já fiz isso. Então esse post é justamente sobre o quanto isso é feito.

Não sou um jornalista de carteirinha, apesar de ser formado e ter um fiapo de experiência em jornais online. O que eu normalmente me apego são erros de informação (um dia conto como quase fui processado por calúnia e difamação, com 18 anos, na faculdade de jornalismo por culpa do meu jornalZine, Clarim Diário) e erros de escrita ou casos de duplo entendimento.

O que acontece é que tem dias em que a cidade pára. O mundo meio que tirou o dia para relaxar, colocou chinelo véio e ficou vendo a programação da TV inteira. Mas o jornal não pode parar! Imagina você abrir o jornal impresso de segunda-feira (se você viver em 1980) e se deparar com notícias como “Tudo bem o dia todo”. “Ladrões não roubam nenhum automóvel no domingo”, “Leão ia rugir, mas desistiu” ou “Secretária iria matar o chefe com uma máquina de escrever mas mudou de idéia”. A menos que algum desses tenha sido preso e o leão fosse uma paráfrase da inflação, não era notícia. Quer dizer, hoje em dia carros não serem roubados em um final de semana É, mas não vende, não agrada o leitor, o editor e principalmente a coisa mais importante para qualquer jornalista: o dono do jornal que te paga pra ficar trabalhando.

Então o que fazemos? Pegamos aquela notícia meio velha e requentamos. Joga no microondas e espera que tudo esteja bem. Se são notícias meia boca, até que passa despercebido por todo mundo – tente  em casa. Mas na época da informação (dica: hoje em dia) com alguns cliques e um time de jornalismo do naipe da galera inteira do blog CriançaPerpétua e você fica sabendo A VERDADE.

Bem, somos dois que sabemos que a notícia foi do dia 17 de Dezembro (pelo jornal VS deus sabe de onde) mas, assim como o online MidiaMax pegou de alguém do mês passado, também pode ocorrer da fonte pegar de ouuuutro jornal do mês passado.

A pegadinha do malandro aqui (RÀ) aqui é que a notícia não foi pega em setembro por exemplo…

 

Segundo a internet foi no dia 16 de dezembro...

Notícia no site Do dia 10/10/2010

Mas não creio que o dia em que leremos a notícia achando que é hoje mas ela foi de 2009 está tão longe assim.

Repare que nenhum dos sites que mostrei te dá a data do ocorrido, apenas a data em que foi publicada no site. Essa é uma maneira de se escapar de datar a coisa. A pegadinha dos malandros (RÁÀÀá!) é que a data dada é a data em que foi PUBLICADA no site. Então, se você consegue omitir a data…

Brasil sagra-se Campeão!

da copa tralálá lalalá do méxico.

Como descobri agora, foi em 1970.

O que é muito complicado, por que se você conseguir traçar de volta às fontes, pode acabar descobrindo até textos originais, de onde a notícia pode ficar levemente diferente.

E não ache que apenas um jornal de cidade pequena faz isso… jornais online, jornais grandes… amigos, inimigos.

Acabo de lembrar de um exemplo do Daily Mail. Não que ele seja lá o exeeeemplo de jornalismo (ou mesmo outras mídias britânicas), mas estamos falando do segundo jornal mais vendido na Inglaterra e foi fundado em 1896. Mesmo ano que descobriram o Raio-x. Que Ford criou o quadriciclo (que viraria o carro)… Que tomaram Canudos! (fonte).

Li uma notícia triste sobre como um método de pesca chamado Cavalo da Lama, só tinha um praticante e possivelmente o último. Triste isso. A data? 31 de dezembro de ano passado (2010). Lindas fotos.

Não lembro onde li uma mulher clamando “Old News” (notícia velha) nessa. Em uma googlada: A última volta do pescador de cavalo da lama. No Telegraph. Em 2008. Tudo bem que a técnica dele está morrendo todo ano, mas tecnicamente, está morrendo todo dia. Não devia ter uma coluna semana ou uma atualização mensal de quanto a técnica vem morrendo? Complicado, né?

Ah, sobre o cara que matou o tubarão?

No site internacional (Mina) clamava que a foto era do tubarão morto pelo Sérvio. Lindo. O site Mediaite noticiou no mesmo dia. No dia seguinte publicou uma atualização, já que um jornal menor dos EUA afirmou que a foto tirada era de uma matéria que eles publicaram sobre um tubarão, inclusive com uma foto a mais, indicando que o tubarão no caso só se alimenta de plâncton. Mais uns links e um leitor publicou o site original, em Sérvio, comentando que o site é basicamente um site de ironias. Eu fui ler a notícia e a cada parágrafo mais forçada ela parece .

Então quando ler aquela notícia desinteressante, procure pela data no corpo do texto… e imagine se seu avô leu a mesma, que pode muito bem ser mentira desde 1800.

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